Como funciona uma comparação salarial

EQUIPARAÇÃO SALARIAL - REQUISITOS


Equipe Guia Trabalhista


Um trabalhador que exerce uma determinada função, mas na verdade tem atribuições de um cargo superior, pode pedir equiparação salarial.


Sendo idêntica a função, a todo trabalho de igual valor, prestado ao mesmo empregador, na mesma localidade, corresponderá igual salário, sem distinção de sexo, nacionalidade ou idade, entre pessoas cuja diferença de tempo de serviço não for superior a 2 anos (art. 461 da CLT).


Na falta de estipulação do salário ou não havendo prova sobre a importância ajustada, o empregado terá direito a perceber salário igual ao daquele que, na mesma empresa, fizer serviço equivalente, ou do que for habitualmente pago para serviço semelhante (art. 460 da CLT).


A equiparação salarial demanda uma série de requisitos:


1. Identidade de função: não se deve confundir função com cargo, já que há empregados com o mesmo cargo e funções diferentes. Exemplo: os professores universitários e primários têm o mesmo cargo, mas a função (atribuição) é diferente.


2. Que o serviço seja de igual valor: é aquele prestado com igual produtividade e a mesma perfeição técnica.


3. Que o serviço seja prestado ao mesmo empregador, conceituado pelo art. 2º, da CLT.


4. Que o serviço seja prestado na mesma localidade: compreende o mesmo município, já que as condições locais podem influir no desnivelamento da remuneração.


5. Que não haja diferença do tempo de serviço entre os empregados da mesma função superior a dois anos - se o tempo de serviço na função for superior a dois anos, impossibilita a equiparação.


Tal situação se observa muito quando o empregado, demitido da empresa, ingressa com ação trabalhista pleiteando equiparação salarial com outro empregado que trabalha ou que tenha trabalhado na empresa.


No entanto, para fazer jus a equiparação salarial, é necessário que o empregado e o respectivo paradigma (trabalhador ao qual pede equiparação), tenham exercido a mesma função simultaneamente, ou seja, tenham trabalhado ao mesmo tempo na empresa, conforme requisitos mencionados acima.


Portanto, em caso de reclamação trabalhista, ainda que haja idêntica função, igual valor no serviço prestado ao mesmo empregador e mesma localidade, se não houve prestação de serviços simultaneamente entre o reclamante e o equiparado, não há equiparação salarial.


Esta é uma das situações que gera a necessidade de se desenvolver um plano de cargos e salários para a empresa, estabelecendo requisitos e atribuindo valores para cada cargo, capaz de eliminar distorções e assegurar a equidade e a coerência interna e externa.


→  Veja outros detalhes e orientações no tópico Equiparação Salarial e Paradigma no Guia Trabalhista On Line.


Atualizado em 09/02/2016.


Como funciona uma comparação salarial
        
Como funciona uma comparação salarial
      

Equiparação salarial é a equivalência de salários pagos numa mesma função. É um modelo de salário a ser seguido, onde a remuneração de um trabalhador de uma mesma função serve de comparação para uma vaga no mesmo setor ou área da empresa.

A equiparação salarial é sim parte de uma norma jurídica e consiste no artigo 461 da CLT de forma favorável ao colaborador.

Como funciona uma comparação salarial

Regras da equiparação salarial no Brasil: 

  • O trabalhador não poderá ser distinguido o valor da remuneração por seu sexo, nacionalidade, etnia ou idade.

Por que a equiparação salarial é importante e por que existe?

Essa norma visa não haver distinção de salário movido a idade, etnia, sexo ou nacionalidade, como uma forma não discriminatória de imputar menores remunerações por causas injustas.

Por isso, quando dois ou mais empregados estão numa mesma função, é importante haver uma base de recebimento fixo sobre o salário. E é sob esse contexto que gira a equiparação salarial.

Ela existe, portanto, para que haja respeito à dignidade humana, valor social do trabalho, e por sua vez, a eliminação do preconceito ou discriminação salarial.

Entenda um pouco mais sobre a equiparação assistindo esse vídeo:

Ações na justiça movidos a equidade salarial

Está dento dos conformes o pleiteio de direito a equidade salarial perante a justiça, quando o trabalhador não recebe salário igual a de outro numa mesma empresa.

Sendo assim, para se pleitear a equiparação na Justiça do Trabalho é preciso indicar um funcionário para que seja feita a devida comparação da função e salário.

Equiparação salarial antes da reforma trabalhista 

Antes da reforma a equiparação servia de auxílio para a empresa e para o empregado, de modo que o mesmo para recebê-la, teria de ter igual produtividade, mesmas habilidades técnicas, desde que a experiência comparada não se seja superior a dois anos para o cargo em questão. A isso é chamado de paradigma.

  • Antes, o plano de cargos e salários tinha de ser homologado no Ministério do Trabalho. (Visava permitir que os empregados não tivessem excessos de normas internas).
  • E para que a equiparação pudesse surtir efeito, o empregado não poderia estar há mais de 2 anos atuando na empresa.
  • A título de equiparação salarial de trabalho igual, contava-se com o tempo de função e não no emprego.

Equiparação salarial depois da reforma trabalhista 

Como funciona uma comparação salarial

Muitas mudanças ocorreram desde que a reforma trabalhista foi aprovada, e assim sendo, a equiparação salarial teve também modificações. Vamos consultar quais foram estas?

  1. O plano de cargos e salários agora pode ser desenvolvido internamente pela empresa, conforme mais conveniente a ela – independente da aprovação do Ministério do Trabalho (este obviamente não pode sobrepor a Lei, nem pode permitir discriminação, sendo assim, passível de impugnação judicial).
  • Por conta da nova reforma, atualmente é mais difícil recorrer pleiteio por conta da equiparação salarial, visto que o plano de cargo e salário fica a critério das normas internas que a empresa achar mais conveniente.
  • Não pode haver pleiteio de equiparação quando o tempo de prestação de serviço entre o equiparando e o paradigma for superior a 4 anos. Da mesma forma, quando a diferença de tempo de atuação sobre a função for além dos 2 anos.
  • A equiparação salarial também só é válida diante ao mesmo empregador. Não valendo, portanto, ser exigida diante a um mesmo grupo econômico.
  • O trabalho precisa ser desempenhado no mesmo estabelecimento ou município de atuação. Não valendo para toda a rede em outras localidades.

E então, você tem mais alguma dúvida sobre equiparação salarial? Acha que com a nova reforma trabalhista, as mudanças vieram para benefício do trabalhador?

Deixe seus comentários!

A equiparação salarial é um dos tópicos mais importantes da nossa legislação trabalhista, ela reúne um grande número de processos e disputas judiciais entre empresas e colaboradores que exigem a equiparação salarial por realizar a mesma função de um colega e receber menos por isso. 

A discrepância do valor do salário entre duas pessoas de mesma função sempre foi um problema presente nas empresas brasileiras. As causas para essa diferença podem ser muitas, e infelizmente algumas vezes podem até mesmo estar relacionadas a problemas de discriminação. 

Esse é um assunto tão sério e recorrente, que a única forma de tornar mais justo e igualitário os espaços de trabalho, foi colocando em lei a proibição dessa prática pelas empresas. 

Bem, este é um assunto bastante denso mas eu garanto que irá valer a pena a leitura. Vamos saber o que diz a lei, quais são os direitos do trabalhador no caso da falta de equiparação, quais são os requisitos para equiparação salarial e claro, o que mudou após a reforma trabalhista.

Vou deixar aqui para você os demais temas que vamos tratar:

Vamos começar te explicando o conceito. 

Como funciona uma comparação salarial

Para entendermos melhor o que é a equiparação salarial, precisamos voltar a um princípio básico garantido pela nossa Constituição Federal:  todos os brasileiros são iguais perante a lei. 

Logo, duas pessoas que exercem a mesma função em uma empresa devem ser tratadas igualmente. Mas não é só isso, a constituição deixa bem claro na parte de direitos sociais em seu artigo 7° que a prática de diferença salarial por motivos de gênero, idade, cor ou estado civil é proibida, e determina que a isonomia salarial é um direito de todo trabalhador. Se você não sabe o significado do termo isonomia, calma que vou falar melhor sobre essa expressão no próximo tópico!

Antes, veja na íntegra o que diz o artigo:

“Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social [...]

XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil; [...]”

A constituição é a nossa lei pétrea, portanto tudo que está nela deve ser respeitado e não pode ser mudado. Por isso, essa questão da equiparação salarial é com certeza muito importante. 

Mas afinal, o que é a equiparação salarial? Vou te explicar: a equiparação salarial é a garantia de que colaboradores que exerçam a mesma função dentro de uma empresa recebam também o mesmo salário. 

E atente-se que aqui nós falamos sobre função, não sobre cargos iguais, é importante ressaltar que a equiparação salarial diz mais respeito às atividades do que ao cargo que os funcionários possuem dentro da empresa. 

Mas para entender a diferença do termo precisamos ver o que a legislação trabalhista diz sobre isso, pois ela adiciona mais detalhes sobre essa lei. Porém, antes de partirmos para a parte jurídica, eu preciso te explicar um termo que usei mais acima.  

Quando o assunto é equiparação salarial, por vezes ele pode estar descrito como isonomia salarial, mas não se preocupe pois as duas expressões refletem a mesma coisa. 

Isonomia quer dizer que todas as pessoas são regidas pela mesma regra, e no direito isso quer dizer que todos são regidos pela mesma lei, assim como manda a nossa constituição em seu artigo 5°:

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.”

E o que isso tem haver com a equiparação salarial? Tudo! O princípio da isonomia salarial garante que não pode existir distinção de salário entre colaboradores que exercem a mesma função. 

Agora sim, para nos aprofundarmos mais neste assunto vamos ver o que diz a lei sobre a equiparação salarial. 

Como funciona uma comparação salarial

Além de estar previsto na constituição, a obrigatoriedade da equiparação salarial aparece duas vezes na Consolidação das Leis do Trabalho, sendo a primeira no artigo 5°, que garante salários iguais aos trabalhos exercidos de igual valor por pessoas de qualquer sexo. 

Agora, você lembra que mais acima eu te disse que muitas vezes a discrepância salarial tem relação com preconceito?

Pois é, segundo dados de uma pesquisa feita pelo IBGE em março deste ano, no Brasil a desigualdade salarial entre homens e mulheres ainda é um problema grave, e mulheres chegam a ganhar cerca de 20% menos que homens. 

Eu te dei esse exemplo justamente para nos atentarmos que a equiparação salarial é uma obrigação de toda empresa. E caso essa regra não seja cumprida, a organização pode sofrer uma ação trabalhista e ter de arcar com um alto valor decorrente à passivos trabalhistas. 

Quer saber como prevenir passivos trabalhistas na sua empresa? Continue sua visita ao Blog PontoTel e confira: “Passivos Trabalhistas: Como evitar os erros mais comuns”!

E não para por aí, o artigo 461 determina mais algumas regras para a obrigatoriedade da equiparação salarial.

O direito do trabalho é a parte jurídica das relações de trabalho. Quem atua nesta área se baseia nos artigos da CLT, da constituição e nas súmulas dos órgãos trabalhistas para cuidar dos interesses entre empresas e colaboradores. 

A equiparação salarial faz parte do direito do trabalho, e em apenas seis meses deste ano, a equiparação salarial já está presente no ranking de assuntos mais recorrentes do TST, com cerca de 5.392 Processos. 

Mas quais são as exigências para a equiparação salarial? Bom, elas são muitas, vamos ver na íntegra:

“Art. 461.  Sendo idêntica a função, a todo trabalho de igual valor, prestado ao mesmo empregador, no mesmo estabelecimento empresarial, corresponderá igual salário, sem distinção de sexo, etnia, nacionalidade ou idade.    

§ 1°- Trabalho de igual valor, para os fins deste Capítulo, será o que for feito com igual produtividade e com a mesma perfeição técnica, entre pessoas cuja diferença de tempo de serviço para o mesmo empregador não seja superior a quatro anos e a diferença de tempo na função não seja superior a dois anos.        

§ 2°-  Os dispositivos deste artigo não prevalecerão quando o empregador tiver pessoal organizado em quadro de carreira ou adotar, por meio de norma interna da empresa ou de negociação coletiva, plano de cargos e salários, dispensada qualquer forma de homologação ou registro em órgão público.            

§ 3° -  No caso do § 2o deste artigo, as promoções poderão ser feitas por merecimento e por antiguidade, ou por apenas um destes critérios, dentro de cada categoria profissional.                    

§ 4º - O trabalhador readaptado em nova função por motivo de deficiência física ou mental atestada pelo órgão competente da Previdência Social não servirá de paradigma para fins de equiparação salarial.         

§ 5°-  A equiparação salarial só será possível entre empregados contemporâneos no cargo ou na função, ficando vedada a indicação de paradigmas remotos, ainda que o paradigma contemporâneo tenha obtido a vantagem em ação judicial própria.               

§ 6° -  No caso de comprovada discriminação por motivo de sexo ou etnia, o juízo determinará, além do pagamento das diferenças salariais devidas, multa, em favor do empregado discriminado, no valor de 50% (cinquenta por cento) do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social.”        

Como podemos ver, a equiparação salarial exige diversos requisitos, por isso, vamos entender ponto a ponto.

Como funciona uma comparação salarial

O artigo 461 detalha muito bem como deve ser conduzida a questão da igualdade salarial e pontua quais são os requisitos necessários. Para que ela seja válida, o colaborador que solicita deverá atender aos seguintes requisitos:

  • Identidade de função;
  • serviço de igual valor;
  • serviço prestado ao mesmo empregador;
  • serviço prestado na mesma localidade;
  • diferença de tempo de serviço.

Lembra que mais acima eu ressaltei que para garantir a equiparação salarial os colaboradores não precisam ter o mesmo cargo mas sim exercer a mesma função?

Para entendermos melhor este conceito, vou utilizar um caso divulgado pelo site do Tribunal Superior do Trabalho.

No processo em questão, um auxiliar de enfermagem entrou com uma ação pedindo a equiparação salarial em relação aos técnicos de enfermagem do hospital. Na ação, o colaborador afirmou que realizava as mesmas atividades que os técnicos e não recebia o mesmo valor de salário. 

Como defesa, o hospital alegou que a profissão técnica exige mais qualificação e o processo seletivo é feito através de concurso público, o que deu a instituição o ganho da ação em um primeiro momento. Porém, logo após o auxiliar entrou com recurso, o que acabou gerando a condenação do hospital a pagar a diferença salarial entre os dois funcionários mesmo que o cargo de técnico seja superior. 

Neste exemplo, a Quarta Turma entendeu que as atividades realizadas eram as mesmas, e a empresa não conseguiu provar que havia alguma diferença na execução das tarefas como por exemplo diferença de técnica ou produtividade. 

Viu só como o cargo não impede uma ação de equiparação salarial?  Por isso, é importante se atentar a quais atividades seus colaboradores desenvolvem dentro da empresa, pois quando a empresa é acionada por conta da equiparação salarial, tudo será analisado e caso os funcionários de salários diferentes façam exatamente a mesma função, as chances da empresa ser obrigada a pagar a diferença são bem grandes. 

No caso utilizado como exemplo, a empresa não conseguiu provar que havia alguma distinção de produtividade e perfeição técnica e por isso foi condenada a pagar a diferença salarial. Isso diz respeito ao serviço de igual valor, apresentado no 1° parágrafo do artigo 461.

Para a lei, o trabalho de igual valor é aquele realizado com a mesma perfeição e produtividade entre as pessoas da mesma empresa. Então não basta apenas ter a mesma função, ambos precisam ter o mesmo desempenho e produtividade para garantir a igualdade salarial. 

Além disso, entre os colaboradores que serão comparados, o tempo de serviço destinado a empresa não pode ser superior a quatro anos.

Esse requisito é bastante simples, ele diz que para efeito de equiparação salarial o empregador precisa ser o mesmo para os colaboradores.

Isso está bem claro, porque às vezes o colaborador que pede equiparação salarial pode ser terceirizado e possuir um empregador diferente, logo ele não pode exigir equiparação salarial. 

Como funciona uma comparação salarial

Este também é um ponto que já causou muita discussão na questão de equiparação salarial, mas pela nova lei trabalhista, só terão direito a equiparação salarial aqueles que de fato trabalharem no mesmo estabelecimento e não mais na mesma região ou localidade. 

Um pouco mais a frente nós vamos discutir todos os pontos que foram alterados pela reforma, inclusive porque existe essa confusão em relação a localidade. Mas agora vou te explicar o último tópico. 

Como te mostrei mais acima, o tempo de serviço prestado ao mesmo empregador entre o colaborador que pede a equiparação salarial para o equiparado não pode ser superior a quatro anos. 

Mas ainda devemos observar o tempo de cada colaborador na função em que exerce. Para comparar a diferença de tempo entre os colaboradores, a lei utiliza a seguinte nomenclatura: paradigma (aquele que será utilizado para comparação) e paragonado (o que solicita a equiparação salarial. 

Para garantir a equiparação, o paragonado, ou seja, aquele que solicita o mesmo salário, não pode ter diferença de mais de dois anos de função em relação ao seu paradigma. 

Vamos usar um exemplo. 

O colaborador A e o colaborador B iniciaram na empresa ao mesmo tempo, mas em funções diferentes. Porém, três anos depois o colaborador B passou a ter a mesma função que o colaborador A. 

E então ele pode pedir equiparação salarial?

Neste caso, eles atendem ao primeiro requisito que é não ter a diferença de mais do que 4 anos trabalhando para a mesma empresa. Entretanto, a diferença de tempo na função é superior a 2 anos, neste caso pela lei o paragonado perderia o direito a pedir a equiparação.

Agora que eu te expliquei todos os requisitos para equiparação salarial, sua empresa precisa se atentar a eles e proteger-se para não cair em uma ação desta.

Além disso, quando a organização respeita essas regras, ela torna o seu ambiente mais justo. Outra forma também de tornar sua empresa mais igualitária é tendo uma estrutura de cargos e salários, e com isso ela acaba se protegendo também de receber um processo por conta de uma diferença salarial. 

Como funciona uma comparação salarial

Um plano de cargos e salários mostra que a sua empresa é um ambiente estruturado e justo, isso impede que colaboradores se sintam inferiores em relação uns aos outros. 

Esse plano traz equilíbrio entre os salários dos colaboradores, fazendo com que eles se sintam mais engajados para crescer profissionalmente à medida que eles vão percebendo que a empresa valoriza o talento e o desempenho. 

Por isso, se a sua empresa deseja fortalecer a cultura organizacional, construir um plano de cargos e salários é um dos caminhos. 

Mas como esse plano ajuda o empregador a se defender de uma acusação de diferença salarial?

O parágrafo 2° do artigo 461 diz que o pedido de equiparação salarial não será válido para aquelas empresas que possuírem um plano cargos e salários, com todas as funções e atribuições delimitadas aos colaboradores. 

Neste quadro, tudo é organizado e comprova que caso exista alguma diferença salarial, é porque os colaboradores estão em níveis diferentes deste quadro. 

Esta é a parte básica do plano de cargos e salários na equiparação salarial, mas com a reforma algumas coisas foram acrescentadas. 

Chegou a hora de vermos todas as mudanças que o artigo 461 sofreu após a reforma trabalhista. 

A reforma trabalhista foi aprovada em 2017, passando a valer no final daquele ano. Como ela ainda é muito recente, muitas empresas ainda não conseguiram se atentar a todos os pontos que mudaram, mas não se preocupe, pois vou te explicar tudo o que mudou sobre este tema agora. 

O artigo 461 foi colocado na legislação trabalhista em 1952, agora você pensa: quanta coisa mudou nos espaços de trabalho até agora, não é? A legislação precisou se atualizar, e primeiro foi instaurada a súmula número 6 do TST, para trazer mais detalhes sobre a equiparação salarial. 

Entretanto, só ela não foi o suficiente, então a reforma modificou o artigo 461 deixando ele mais redondo e enxuto, acrescentando mais dois parágrafos a ele. Com isso, a súmula e a Reforma entram em conflito, mas lembre-se: a reforma é a legislação mais atual sobre o assunto, por isso ela que deve ser seguida. 

Para te ajudar, nós montamos uma tabela que deixa mais claro o antes e depois, mas para não restar dúvidas vamos ver ponto a ponto o que mudou.

Antes da ReformaApós Reforma trabalhista
Vedada a discriminação porsexo, nacionalidade ou idadesexo, etnia, nacionalidade ou idade
Localmesma localidademesmo estabelecimento comercial
Diferença de função e prestação de serviço à empresadiferença de até dois anos na mesma funçãodiferença de até dois anos na mesma função + diferença de tempo de serviço prestado ao mesmo empregador não superior a quatro anos
Plano de cargos e salárioshomologado pelo Ministério do Trabalhosem necessidade de homologação. Apenas modalidade de acordo coletivo ou acordo entre empresa e colaborador
Plano de cargos e salários (Promoções)apenas por merecimento ou por antiguidadepor merecimento e por antiguidade ou apenas uma das opções
Paradigmasnão importa se sejam contemporâneosapenas paradigmas contemporâneos
Multas por discriminaçãosem previsãomulta de 50% do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social

Como funciona uma comparação salarial

Lembra que eu te disse que muitas vezes a desigualdade salarial surge por problemas de preconceito e discriminação? Antes, a legislação só previa que era vedada a diferença salarial por motivos de sexo, nacionalidade ou idade, sendo que agora foi incluída a palavra etnia no artigo.

Isso quer dizer que o preconceito racial também é uma falta grave, e um empregado não pode receber menos do que outro por conta de sua etnia. Essa é uma das mudanças mais positivas desta lei, pois garante que não haja impunidade para as empresas que fazem distinção de cor. 

A localidade dos colaboradores antes da reforma era muito abstrata, se tratava apenas da mesma localidade, o que poderia gerar diversas interpretações caso a empresa possuísse mais de uma filial como por exemplo: mesmo estado, município e até mesmo país. 

Com a reforma fica claro que só é válida a equiparação salarial para o mesmo ambiente de trabalho, o que protege o empregador de receber uma ação por valores praticados em cidades distintas de administração as vezes até mesmo diferente.

Para garantir a equiparação salarial, antes era apenas necessário que o empregado não possuísse tempo maior do que dois anos de diferença na função em relação ao seu paradigma. Após a reforma, além disso, é necessário que eles não possuam diferença de mais de 4 anos na mesma empresa. 

Antes da reforma, era necessário que o plano de cargos e salários fosse homologado pelo ministério do trabalho, mas como a nova lei trabalhista facilitou os acordos entre colaborador e empregador, agora o plano não precisa mais ser homologado, basta que haja um acordo entre as duas partes.

Além do que falamos no tópico acima, as promoções desse plano de cargos e salários só poderiam ser feitas por merecimento ou por antiguidade. Com a reforma, pode ser adotado esses dois critérios ou apenas um deles, fica por escolha da empresa. 

Os dois próximos tópicos foram criados com a reforma, eles que tornaram ainda mais redondo a questão da equiparação salarial, pois acaba com algumas confusões e interpretações.

Esse é um ponto bastante importante. Antes da reforma, existia uma confusão sobre a possibilidade de um colaborador pedir equiparação em relação a um paradigma remoto, ou seja, um outro funcionário que já foi usado para requerimento de equiparação, mas não necessariamente trabalhe com esse colaborador no momento. 

Antes, se em algum dia eles chegaram a trabalhar juntos, ele poderia recorrer a equiparação. 

Agora, com as mudanças da reforma, para existir a equiparação os colaboradores precisam necessariamente ser contemporâneos, ou seja, exercer a função simultaneamente e ainda deve ser respeitado o requisito do tempo de função e tempo na empresa. 

Antes da reforma, não existia nenhum tipo de multa prevista na legislação, agora caso seja comprovado que existiu uma discriminação por parte da empresa em relação a diferença de salário entre colaboradores, ela pode ser condenada a pagar ao colaborador discriminado o valor de até 50%  do teto dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social. 

Essa é uma forma de não deixar que as empresas passem impunes ao possuírem esse tipo de atitude e contribui até mesmo para o combate do preconceito dentro das organizações.

Como funciona uma comparação salarial

Ainda bem que eu te avisei que esse era um assunto bastante denso, mas agora falamos tudo sobre a equiparação salarial e todas as mudanças que esse tema sofreu após a reforma. 

Com uma legislação mais redonda e mais transparente, as empresas podem evoluir e tornar a sua relação com os colaboradores mais justa e eficiente. 

Nesse texto nós vimos o que é a equiparação salarial e quais podem ser as consequências caso a sua empresa não siga o que manda a legislação. 

Lembre-se, uma empresa que cuida do seu clima organizacional e que acaba com injustiças dentro da organização e valoriza os seus colaboradores é uma empresa que tem bastante potencial para ir além e se destacar no seu ramo. 

Por isso, não perca tempo, além de ter uma gestão de cargos e salários igualitária e justa, sua empresa ainda pode contar com uma outra forma de transparência na relação com seus colaboradores. Conheça o sistema da PontoTel e saiba o que ele pode fazer pela sua empresa, marque já uma demonstração!

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